
Atualmente, soltar balões não é considerado ecologicamente correto, e em épocas juninas, as campanhas de prevenção se sucedem. Mas não era assim na minha infância. Os balões coloridos e iluminados encantavam a inocência que ainda não sabia dos seus efeitos devastadores . Enquanto as outras crianças ficavam ao redor da fogueira soltando seus fogos, eu simplesmente me afastava, pois a fumaça sempre me irritava os olhos. Saía driblando as fogueiras pela rua, com olhar fixo no céu, contando balões. Até hoje não sei como não caí numa delas, naquelas excursões volateis. Os balões eram conundidos com as estrelas, de tão numerosos.
Festa mesmo, era quando algum vizinho resolvia soltar um balão. Eu ficava ali, quietinha, observando tudo o que acontecia. Batia palmas quando o balão finalmente subia e ganhava os ares (mais um para a minha contagem) e ficava bastante triste quando algo dava errado e ele se incendiava. Enquanto o papel de seda queimava eu lamentava. Mas logo haviam outros. Centenas deles a encher o céu de cores e meu coração de alegria. Eu nunca soube quantos balões contei, pois tambem nunca sabia quantos eu estava contando pela segunda vez. Na verdade, o prazer estava no ato da descoberta de mais um balão que aparecia e desaparecia da mesma forma que vinha. Eram todos meus e nenhum me pertencia. Eu contava ilusões. Eram belas ilusões, faiscantes e tremeluzentes, mas simplesmente ilusões que se dispersaram com o tempo, mas que encheram de beleza a minha infancia e se tornaram lembranças eternas.


