segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Casa da Lua


Descobri que além da melancolia do final do ano, algo mais me espreitava: A temida TPM. Eu que há alguns anos me gabava de não tê-la, depois dos 40 vejo-a apresentar-se com força total. Se eu pudesse, nestes dias, me isolava. Eu que sou sociavel por natureza, não tenho vontade de ver, nem muito menos falar com ninguem. Fico soltando os cachorros no primeiro que aparece, e o primeiro é sempre o mais proximo, os que mais amo. Num passado ainda bem proximo, as mulheres se resguardavam mais nesta fase. A inclusão no mercado de trabalho, as variadas e muitas vezes exaustivas obrigações dia a dia da mulher moderna, a afastaram um tanto de sua natureza. Daí surgiu a TPM. O corpo pede para ficar quieto, mas que mulher pode aquietar-se quando tem tantos compromissos para dar conta. A mente almeja recolhimento, mas o mundo pede trabalho, dedicação, superação, atividade. Então sofremos todos em conjunto. A mulher que até sem o saber, mas sentido os sintomas, entope-se de medicação, e os mais proximos que são obrigados a conviver com o produto desta inversão: Uma mulher estressada, tepeemizada (eis um novo termo).
Meu sonho é construir uma "Casa da Lua", assim como algumas tribos indigenas, para onde as mulheres se recolhiam e entravam em contato consigo mesmas, nesta fase. Um dia quem sabe eu consiga, mas daí já estarei na menopausa e este é outro delicado capitulo.