
Dei de cara novamente com a morte. Quem disse que é fácil? Ela olhou-me meio debochada, como a dizer: -É isto mesmo, estou por aqui de novo e não há nada que você possa fazer.
Mudar o rumo da morte eu não posso, mas pude sim fazer alguma coisa. Elevei o pensamento e busquei a vida que estava ali, do outro lado, tão tênue e tão próxima, mas do outro lado. E lá vislumbrei mensageiros de vida, auxiliando aquele a quem a morte espreita.
A morte encarou-me e disse:- Vou dar uma saidinha, mas nem se anime, porque eu volto. Eu disse até logo para ela. No outro dia tive a noticias de que como por milagre o paciente havia melhorado bastante depois que as visitas partiram e passara a noite bem.
Tive tambem noticias de vida. Ela falou-me pelo telefone que vem dar o ar de sua graça novamente. Mais um neto. Mais uma oportunidade criada. Agradecida a Deus, concluo que a vida e a morte fazem parte de um mesmo plano divino e que comprendê-las depende do ângulo que as vemos e vivemos. Se estamos vivos aqui, no plano terreno, estamos mortos no plano espiritual e vice e versa. E o plano divino é sempre de vida que se renova a cada ciclo.
Quando me deparar novamente com a morte, direi: -Agora, que eu compreendo que você não existe, pode entrar, a casa sua.
